Mês nacional da doação de sangue chega em um momento decisivo: bancos da Baixada Santista enfrentam queda histórica de doadores nas férias escolares de julho, e o estoque precisa ser reforçado antes do esvaziamento sazonal.
Junho é o mês do Junho Vermelho, campanha nacional criada para fortalecer a cultura da doação voluntária de sangue no Brasil. A data de referência é 14 de junho — Dia Mundial do Doador, instituído pela Organização Mundial da Saúde em homenagem ao nascimento de Karl Landsteiner, descobridor do sistema sanguíneo ABO.
Mas a campanha vai muito além de uma data simbólica. Ela existe porque os bancos de sangue brasileiros operam, na maior parte do ano, com estoques abaixo do ideal — e em determinados períodos, próximos do nível crítico.
A queda sazonal que coloca vidas em risco
De acordo com o médico hematologista Dr. Edmir Boturão Neto, em entrevista ao portal Santa Portal, existem períodos do ano em que o fluxo de doadores despenca drasticamente nos hospitais da região. São eles: as festas de fim de ano, o Carnaval e as férias escolares de inverno e verão.
“Precisamos criar uma cultura na sociedade para fazer com que o estoque siga cheio o ano inteiro, sem pausas em datas comemorativas”, alerta o hematologista.
O paradoxo é cruel: nos mesmos períodos em que a doação cai, a demanda hospitalar tende a aumentar. Mais viagens significam mais acidentes de trânsito. Cirurgias eletivas e procedimentos oncológicos não param. E pacientes em UTI, com leucemia ou em sessões de quimioterapia continuam dependendo de transfusões frequentes.
É por isso que doar em junho não é um gesto isolado: é um investimento no estoque que vai socorrer alguém em julho.
Uma bolsa, quatro vidas
Muitas pessoas desconhecem, mas o sangue humano não pode ser fabricado em laboratório. Tudo o que existe nos hospitais vem do braço de doadores voluntários.
A partir de uma única bolsa coletada, é possível processar até quatro componentes sanguíneos distintos, cada um destinado a um tipo de paciente:
- Concentrado de hemácias — usado em anemias severas, hemorragias e cirurgias;
- Concentrado de plaquetas — para pacientes com risco alto de sangramento;
- Plasma fresco congelado — usado em doenças hemorrágicas;
- Crioprecipitado — para tratar sangramentos graves em condições clínicas específicas.
Vítimas de acidentes, pacientes em UTI, cirurgias cardíacas, partos complicados, pessoas em tratamento contra o câncer e a leucemia são alguns dos perfis que mais dependem dessas transfusões.
Onde doar na Baixada Santista
– Cubatão
Banco de Sangue do Hospital Modelo de Cubatão: Avenida Henry Borden, s/nº, Vila Nova | Telefone: (13) 3362-5400
– Guarujá
Banco de Sangue do Hospital Santo Amaro: Rua Quintino Bertoldi, 40, Vila Maia | Contato: (13) 3384-1515
– Itanhaém
Banco de Sangue do Hospital de Itanhaém: Avenida Rui Barbosa, 541, Centro | Contato: (13) 3426-3350
– Santos
Banco de Sangue da Santa Casa de Santos: Avenida Cláudio Luis da Costa, 50, Jabaquara | Telefone: (13) 3202-0600
Banco de Sangue do Hospital Ana Costa: Rua Amazonas, 143, 8º andar, Campo Grande | Telefone: (13) 3228-9000 / 3226-9245
Casa de Saúde: Avenida Conselheiro Nébias, 644, Boqueirão | Telefone: (13) 3202-2500
Hemognósis: Avenida Conselheiro Nébias, 644, Térreo, Boqueirão | Telefone: (13) 3232-4772
Hospital Frei Galvão: Rua Dr. Heitor de Moraes, 23, Boqueirão | Contato: (13) 3229-1500
Hospital Guilherme Álvaro – Hemonúcleo de Santos: Rua Oswaldo Cruz, 197, Boqueirão | Telefone: (13) 3233-4265
Hospital São Lucas: Avenida Ana Costa, 168, Vila Mathias | Contato: (13) 2102-5000
Quem pode doar?
Para se candidatar à doação, é preciso cumprir alguns requisitos básicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde:
- Ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos precisam de autorização legal dos responsáveis; a primeira doação deve ser feita até os 60 anos);
- Estar em boas condições gerais de saúde;
- Apresentar documento de identidade oficial com foto (RG, CNH ou passaporte);
- Não doar em jejum — fazer uma refeição leve antes (aguardar 2h após o almoço, 1h após o lanche; evitar alimentos gordurosos);
- Não consumir bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à coleta;
- Não estar sob efeito de determinadas medicações;
- Checar o tempo de aptidão caso tenha tomado vacina recentemente.
O procedimento leva menos de uma hora, é seguro e indolor. Todo o material utilizado é descartável.
O comerciário também salva vidas
O Sincomerciários representa milhares de trabalhadores em toda a Baixada Santista. Somados, formamos uma das maiores categorias da região — e uma das que mais pode contribuir para encher os bancos de sangue dos nossos hospitais.
Doar sangue é um direito do trabalhador. A lei garante o afastamento de um dia de trabalho a cada doze meses, sem prejuízo de salário, para quem comprovar a doação voluntária (CLT, art. 473, inciso IV).
Neste Junho Vermelho, o Sincomerciários convoca cada comerciário e cada comerciária da Baixada Santista a procurar um dos bancos de sangue da região. Uma hora do seu tempo pode ser a diferença entre a vida e a morte para alguém que está em uma UTI agora mesmo.
Doe sangue. Doe vida. Doe esperança.
Fonte: Santa Portal — “Estoques de sangue sofrem queda em períodos de férias e acendem alerta na Baixada Santista” (31/05/2026), com complementação de informações do Banco de Sangue da Santa Casa de Santos e do Ministério da Saúde.